Radar

Vendedor Shopee paga imposto sobre comissão retida; reforma muda o jogo em 2027

· Financeiro · Código Laranja

Supervisão editorial: Maicon Ramos, Mentor Certificado Oficial Shopee

Caixas de papelão e calculadora com detalhe laranja sobre mesa de madeira, representando impostos no e-commerce.

Um vendedor que fecha uma venda de R$ 100 na Shopee não recebe R$ 100. Recebe entre R$ 70 e R$ 80, após a comissão da plataforma, taxa fixa por item e frete. Mas o imposto, no Simples Nacional, é calculado sobre os R$ 100 inteiros — incluindo o dinheiro que nunca chegou à conta. É a armadilha tributária que afeta dezenas de milhares de lojistas brasileiros hoje.

Segundo análise publicada pela Valor Econômico, há um ponto crítico exato na tabela do Simples Nacional em que o regime simplificado se torna o mais caro possível: R$ 3,6 milhões de receita bruta acumulada em 12 meses — o equivalente a R$ 300 mil por mês. Nesse patamar, a alíquota efetiva atinge 11,9% do faturamento bruto — o pico da tabela inteira. É o tamanho de uma operação de marketplace consolidada: três ou quatro canais ativos, estoque próprio, equipe pequena. E é justamente quem chegou ali que paga a maior taxa.

O problema se agrava com dois movimentos simultâneos. De um lado, a margem encolheu em 2026: os grandes marketplaces reprecificaram suas tarifas, com elevação de taxa fixa por venda e eliminação de subsídios ao frete. Do outro, a inflação empurra automaticamente o faturador para faixas mais altas — as faixas do Simples Nacional são valores nominais desde 2018 e nunca foram corrigidas. Com inflação acumulada de mais de 50% no período, operações que vendem o mesmo em volume real pagam alíquota mais alta.

Para quem opera no lucro real, a base de cálculo acompanha a realidade: IRPJ e CSLL incidem sobre o lucro efetivamente apurado, não sobre a receita. Se margem cai, imposto cai. Se há prejuízo, não há imposto — apenas crédito fiscal para compensar no futuro.

O que muda para o vendedor

Fonte: Valor Econômico.