Marketplaces asiáticos expandem operação local e disputam lojistas no Brasil
· Estratégia · Código Laranja
Supervisão editorial: Maicon Ramos, Mentor Certificado Oficial Shopee
As plataformas de comércio eletrônico de origem asiática, como Shopee, AliExpress, Temu e TikTok Shop, estão intensificando seus investimentos na atração de vendedores brasileiros e na estrutura de logística nacional. O movimento visa encurtar os prazos de entrega e expandir o catálogo de produtos com estoque no Brasil, elevando a concorrência direta com as varejistas tradicionais atuantes no país.
Um levantamento recente realizado pela Klavi, em parceria com a EY, aponta que AliExpress, Shopee, Shein, Temu, TikTok Shop e Kwai Shop já centralizam 78% do volume de buscas relacionadas ao varejo digital brasileiro, restando 22% para marcas tradicionais como Amazon, Mercado Livre, Magazine Luiza, Casas Bahia e Americanas. No último ano analisado pela pesquisa, a fatia de mercado das redes tradicionais recuou de 67,5% para 58%, enquanto a dos players asiáticos subiu de 32% para 41,5%.
Nessa disputa por vendedores locais, a Shopee informou em junho de 2026 que superou a marca de 3 milhões de lojistas nacionais cadastrados, responsáveis por mais de 85% das vendas totais da plataforma no Brasil. Paralelamente, o TikTok Shop alcançou um volume de vendas (GMV) de R$ 2,3 bilhões em seu primeiro ano de operação, impulsionado pela convergência entre entretenimento e comércio. A Temu, que abriu oficialmente seu cadastro de vendedores no país em outubro de 2025 oferecendo benefícios como comissão de 0%, registrou 410 milhões de visitas mensais em julho de 2025.
A expansão física também é uma das principais frentes do AliExpress. Segundo Briza Bueno, diretora da companhia no Brasil, o foco da empresa está no fortalecimento de parcerias locais e na ampliação do estoque interno, o que possibilita prazos de entrega mais rápidos. De acordo com a executiva, a participação do e-commerce no varejo total brasileiro gira entre 10% e 15%, o que sinaliza espaço para expansão se comparado a mercados mais maduros, como a China, onde o setor ultrapassa 50% de participação.
O que muda para o vendedor
- Diversificação consciente de canais: A ampliação do mercado exige que o lojista compare custos operacionais e a qualidade do suporte de cada plataforma para definir onde alocar seus produtos.
- Sincronização de sistemas contra erros: Conforme apontado pelo setor de automação logística, a integração entre ERPs e múltiplos marketplaces evita erros de estoque e atrasos na separação dos pacotes, o que reduz custos com cancelamentos e retrabalho.
- Adoção de novos formatos de divulgação: O crescimento de canais como o TikTok Shop demonstra a força da venda que se inicia na recomendação de criadores e transmissões ao vivo. Lojistas que utilizam canais visuais precisam se preparar para estes formatos.
- Competitividade focada no estoque local: Enquanto o comércio internacional atende demandas específicas, o lojista nacional ganha mercado pela velocidade de entrega, demandando maior eficiência na gestão física do estoque.
Fonte: DComercio.